Cinema Nacional: Resiliência e Ascensão

 

Cinema Nacional 1

 

Por Gabriela Camargo

De acordo com a pesquisa realizada pelo Observatório Brasileiro do Cinema e Audiovisual (OCA), em 2016, houve um aumento da população no consumo do Cinema Nacional. O ano foi crescente para a produção brasileira, com mais de 100  lançamentos, entre documentários e animações, atraindo um grande público ao cinema- Que chegou a mais de 30 milhões de ingressos vendidos no ano. O aumento da produção e a procura dos brasileiros pelo Cinema Nacional, aumenta a visibilidade dessa indústria, que é muito polarizada pela produção hollywoodiana. Mesmo com essa polarização, o Brasil tem mostrado resiliência na produção dessa arte . Mas afinal, com tantas  grandes estréias e produções por quê, no Brasil, esse ainda é um ramo que se tem muito a descobrir e desenvolver!?

Por muito tempo o Brasil  restringiu a sua produção, sempre seguindo um determinado tipo de gênero. Nos anos 40, as chanchadas impulsionaram a indústria cinematográfica no país, seu conteúdo humorístico e cômico-musical, de baixo custo, teve uma boa aceitação pelo público, mas logo o gênero desgastou- se naturalmente e, foi perdendo seu espaço. Também, com o surgimento do Cinema novo, que seguia com os temas sociais e contestador, tendo Glauber Rocha como o cineasta mais influente do movimento. Seu filme “Deus e o diabo na terra do sol”, que tratava das questões sociais e vida do sertanejo, foi indicado para representar o Brasil no Festival de Cannes. Esse movimento resistiu cerca de 10 anos, pois logo sofreu com as repressões da ditadura.

Glauber Rocha

 

Nos anos 70, o surgimento da Pornochanchada, também deu uma impulsionada no setor. Mesmo sendo  vista como apelativa pela população e alguns críticos da época, por seu conteúdo pornô- O que rendeu ao país a frase “ Cinema nacional é só putaria”. Durando um pouco mais de uma década no país, as Pornochanchadas, alcançaram um patamar histórico na época. Logo uma crise causou escassez de investimentos, junto com um esgotamento nos temas, fazendo com que diminuíssem as produções.

Uma queda brusca que também abalou a produção brasileira foi o fim da Embrafilme, nos anos 90, seguido pelo fechamento de mais dois órgãos, a Fundação do Cinema Brasileiro e o Concine (Conselho Nacional de Cinema), fazendo com que a  produção cinematográfica no país ficasse estagnada.“A produção, brasileira zerou e nós ficamos um longo período sem produzir filmes” é o que afirma Fabíola Tarapanoff, professora, pós-graduada em cinema. Fabíola enfatiza que esse longo período com temáticas fixas, seguido de uma paralisação na produção, contribuiu para atenuar a indústria brasileira.

Após o  governo militar, o presidente do período sancionou a lei do incentivo e o, quase extinto, cinema brasileiro torna-se o “Cinema de Retomada”. O marco dessa época foi a produção “Carlota Joaquina“ que atraiu um público de mais de 1 milhão de pessoas- Primeiro filme da época a atingir esse número de espectadores. “Durante a ditadura, nosso cinema praticamente acabou. Depois da retomada com Carlota Joaquina fomos conquistando o público, aperfeiçoando a nossa parte técnica e afiando a nossa narrativa” afirma Marcelo Várzea, ator e diretor. Para ele a produção ainda precisa ser lapidada , mas garante que estamos no caminho certo, “ Neste momento estamos “tilindo” e fazendo um bom cinema. Afirma. Cibele Santa Cruz, produtora de elenco de cinema , concorda que o brasileiro tem prestigiado mais o cinema nacional e que nossa visibilidade mundial , não só com filmes, mas com atores e diretores, é excelente. “A retomada do cinema brasileiro tem apenas 20 anos, se pararmos para pensar avançamos muito nesse setor, não só no mercado interno, mas como pelo reconhecimento mundial”. Afirma a produtora.

CARLOTA-JOAQUINA-PRINCESA-DO-BRASIL
Imagens- NoSet

Com grandes experiências no setor, os especialistas da área concordam entre si que a indústria brasileira está em um momento crescente e seguindo o rumo certo.  “Eu tenho achado a safra maravilhosa” Afirma Várzea que coloca suas considerações quanto aos pontos que ainda precisam ser desenvolvidos nas produções nacionais, “Primeiro precisamos afiar nossas ferramentas, resolver nosso produto e depois investir num caminho distribuição mais potente”. Conclui. Para a professora, o cinema nacional ainda está em fase de desenvolvimento, “Falta tempo para amadurecer” e “Falta cultura de público”, diz. Cibele Santa Cruz afirma que ainda é preciso evoluir e não deixar que os investimentos nessa indústria caiam, “ Temos muito que avançar, pois é um mercado que cresce mundialmente e de grande potência na economia do país”, diz.

 

 

Anúncios

Lumus

Por Julia Lopes

O spin-off de Harry Potter fez sucesso logo de cara. O primeiro filme de Animais Fantásticos não cativou apenas aos fãs que acompanharam a história de Harry durante anos, mas também, conquistou uma nova gama de apaixonados por bruxaria – seja você um sangue puro, um mestiço ou um “trouxa”.

O longa que irá estrar no feriado do dia 15 de novembro promete grandes recordações dos oito primeiros filmes da saga. Lugares, personagens e objetos deixados nas memórias de tantos serão citados na nova história. Animais Fantásticos: Os Crimes de Grindelwald traz grandes revelações em sua trama, um lado de Alvo Dumbledore que até então era desconhecido, a história por trás da família Lestrange, a aparição inédita de Nicolau Flamel, a descoberta de novas escolas de magia e bruxaria ao redor do mundo, e muito mais.

Essa extensão do mundo de Harry Potter foi lançada pela primeira vez em 2001 pela escritora J. K. Rowling, o livro Animais Fantásticos e Onde Habitam foi publicado sob o pseudônimo – do agora protagonista – de Newt Scamander.O almanaque era na verdade, um catálogo com diferentes criaturas do universo mágico. Sua aparência fazia com que o público imaginasse que aquele livro realmente havia sido utilizado durante as aulas de Harry Potter em Hogwarts.

Livro 2001

Fonte: https://www.amazon.com.br/Animais-Fant%C3%A1sticos-Onde-Habitam-Scamander/dp/8532513298

Como essa primeira edição era apenas um catálogo, pode-se dizer que as histórias de todos os filmes do Animais Fantásticos são totalmente inéditas. Uma grande surpresa para os fãs é o fato dos roteiros serem produzidos pela própria J. K.; afinal, a escritora nunca havia se envolvido diretamente com a produção cinematográfica de suas histórias.

A escolha de quem seria o diretor dessa nova saga do mundo mágico não foi tão fácil para a produtora. Os estúdios Warner Bros estavam em dúvida entre dois diretores que já haviam contribuído para as histórias de Harry. Alfonso Cuarón, responsável pelo filme Harry Potter: O prisioneiro de Azkaban, era a primeira opção; mas, quem realmente ganhou o posto foi David Yates, diretor que esteve À frente dos últimos três filmes da saga.

Mas não é apenas glamour que pode-se esperar da produção do filme, um dos pontos mais pautados nos últimos meses foi a permanência ou não do ator Johnny Depp – que atualmente interpreta o bruxo Grindelwald. A polêmica iniciou quando a ex-mulher de Depp, Amber Heard, o denunciou por abuso e agressão. Após a acusação ser realizada e a produção informar que Grindelwald teria uma participação maior no segundo filme, alguns fãs da saga se manifestaram contra a permanência de Depp. Detalhe que toda essa história teve seu auge justamente na época em que Hollywood estava sensibilizada com os casos de abuso sexual que foram revelados.Porém, de acordo com a entrevista realizada pela revista Entertainment Weekly, o diretor David Yates se posicionou contra a pressão do público. Declarando que Depp faria parte do elenco e que não havia nada no comportamento do ator que o fizesse mudar de ideia.

“Honestamente, tem um problema no momento no qual tem um monte de gente sendo acusada de várias coisas, eles estão sendo acusados por várias vítimas e é constrangedor e assustador. Com Johnny, me parece que teve apenas uma pessoa que reclamou. Eu só posso falar sobre o homem que eu vejo todos os dias: ele é decente e cheio de bondade e isso é só o que eu vejo. Qualquer acusação que tenha sido feita não combina com o tipo de ser humano que eu tenho trabalhado”, declarou Yates durante sua entrevista.

O enorme universo criado por J. K. teve o poder de atingir um público tão grande que não era nem imaginado pela escritora no início de tudo. Por incrível que pareça, a história foi rejeitada por doze editoras até que a pequena Bloomsbury aceitou publicar o primeiro livro do que seria o mais novo fenômeno. Após 7 livros e 8 filmes da saga de Harry, uma peça de teatro, um livro e 5 filmes – já anunciados pela escritora – da saga de Newt, não há como negar que o universo bruxo é um grande sucesso do século XXI. Afinal de contas, não é toda história que consegue colocar os 8 primeiros filmes da saga na lista das 50 maiores bilheterias de todos os tempos.

Os principais fatores da conquista de um público tão grande é o modo profundo e sincero com que Rowlingconsegue abordar temas como maturidade, amor, amizade, preconceito, bullying, inveja, problemas pessoais e até mesmo morte. Durante a entrevista, o potterhead Francisco Neiele expõe um dos exemplos em que é possível perceber essa reflexão que a trama trás para o público. “Uma coisa muito importante que J. K. nos trouxe é o querido Newt Scamander, um jovem bruxo que era rejeitado pelos colegas de escola, mas que era amado por seus professores. Não pelo fato dele ser ‘esquisito’, mas sim porque viram o real potencial que ele poderia ter e a pessoa maravilhosa que ele se tornaria. Ou seja, não julgar os outros pela aparência e sim, conhecer as pessoas como elas realmente são”, diz Francisco.

Além de tudo isso, o crescimento dos atores, e consequentemente dos personagens, ao longo dos filmes foi um ponto muito importante; já que assim, se tornou possível estabelecer uma veracidade e conexão com o público em cada novo lançamento. O vínculo que os personagens demostravam na tela era tão intenso que só poderia ser igual na vida real. No último dia de gravação do filme Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 2, os atores fizeram declarações de como seria a vida deles dali em diante e de como a saga os havia marcado.

“É a primeira vez que o fato de tudo chegar ao fim realmente me tocou e trouxe muitas memórias do comecinho, quando tudo era tão incrível e eu estava tão atônita com tudo aquilo. Não sei, acho que acabo de perceber o quão incrível tudo aquilo foi”, revela a atriz Emma Watson no documentário disponível no DVD duplo do último filme.

Top Bilheteria

“O motivo de gostar de Animais Fantásticos é porque desde criança, o incrível mundo mágico da J. K. Rowling me encantou. É um universo tão rico de detalhes e coisas que poderia viver nele pelo resto da minha vida (se ele existisse claro). Mas, muito além do mundo mágico, J. K. consegue trazer em seus roteiros lições essenciais para nossa existência, como amizade, respeito e perseverança, fazendo com que nunca desistamos dos nossos sonhos.”, relata a cinéfila Natalia Nascimento.

 Um pouquinho de spoiler para acalmar a ansiedade…

 

Sinopse Grindelwald

Animais Fantásticos: Os Crimes de Grindelwald

Sinopse Oficial: Newt Scamander reencontra os queridos amigos Tina Goldstein, Queenie Goldstein e Jacob Kowalski. Ele é recrutado pelo seu antigo professor em Hogwarts, Alvo Dumbledore, para enfrentar o terrível bruxo das trevas Gellert Grindelwald, que escapou da custódia da Macusa (Congresso Mágico dos EUA) e reúne seguidores, dividindo o mundo entre seres de magos sangue puro e seres não-mágicos.

Veja o trailer aqui!

Era uma vez uma princesa…

Por Julia Lopes

Quando Hollywood divulga que uma nova princesa está prestes a surgir, a primeira imagem que aparece na cabeça de todos é daquela menina frágil que sempre precisa de alguém para protege-la. Mas será que elas ainda são assim?

Nos últimos tempos, a representação das mulheres no cinema está mudando cada vez mais. As princesas cresceram e não são mais aquela menina ingênua ou apenas o estereótipo de garota bonita, engraçada e querida. Elas pensam, tomam suas próprias decisões, não precisam sempre de uma figura masculina e lutam pelo seu próprio final feliz.

Mas, não pode ser dito que este perfil surgiu apenas agora, há grandes exemplos de princesas corajosas e decididas. Clássicos cinematográficos como Mulan, Pocahontas e Hércules demonstram exatamente essa tese. Em todos, as personagens principais exibem uma força “proibida” para as mulheres daquela época.

O universo Disney é o principal responsável pela virada no jeito de entender as princesas. Suas produções estão há décadas entre as favoritas e sempre tendem a transmitir mensagens fortes sobreigualdade, autonomia e autoestima. Um dos próximos filmes que será lançado traduz essa maneira inovadora que a produtora vem construindo suas histórias, Ralph Quebra a Internet: Detona Ralph 2 é uma grande sátira ao universo Disney. No longa, Vanellope acaba se encontrando com as princesas e elas ironizam o padrão machista que é esperado nestes filmes. As perguntas para categorizar o tipo de princesa que Vanellope se encaixa são as mais absurdas, frases como: “Já foi envenenada?”, “Amaldiçoada?”, “Sequestrada ou escravizada?” e por fim “Todo mundo acha que tudo se resolveu pra você depois que apareceu um homem fortão?”, chocam a personagem principal e provavelmente todos os telespectadores. Então ser sempre a mocinha indefesa é o que define se aquela garota pode ou não ser uma princesa? A resposta é “não”, as meninas hoje em dia estão lutando pelo o que acreditam e – por mais que todos amem os clássicos – não querem ser representadas como pessoas frágeis, a espera de alguém que as salve.

Ao longo dos anos houve diversas “quebras” no padrão cinematográfico, personagens que antes não seriam representadas ganharam um grande espaço.Demonstrando cada vez mais o “poder” que a mulher adquiriu na sociedade. Jasmine trouxe a garota indiana que não aceita casar com o cara mal – mesmo que seja para o bem de todos –, Elsa e Ana mostraram que não é preciso ter um homem na história para que haja um final feliz – elas mesmas podem decidir seu destino –, Bela não se deixou abater pelos preconceitos que eram impostos pela sociedade – foi a garota que enfrentou as regras e aprendeu a ler, além de lutar para proteger quem amava – e há Moana, a filha do chefe que foi corajosa o suficiente para enfrentar o desconhecido afim de salvar a todos.

Feminist Princess

Mas a verdadeira revolução veio apenas em 2009, trazendo a irreverente Tiana. O filme A Princesa e o Sapo e destacou por ser diferente de tudo o que os estúdios Disney haviam feito até então. A animação já prometia ser um destaque porque trazia a primeira princesa negra; só que não parou por aí, o fato de toda a história se passar em Nova Orleans e de Tiana não apenas sonhar, mas também ter um objetivo e correr atrás para conquistá-lo, garantiu um “toque” de realidade que fez com que o público se visse mais próximo da personagem. Uma das principais características do filme ter tido o sucesso de USD267 milhões nas bilheterias, é pelo modo como Tiana foi retratada. A personagem principal não nasceu uma princesa, ela veio de uma família humilde que a ensinou a importância do trabalho duro e é apenas no fim – após descobrir e aceitar o amor de Naveen – que ela realmente se torna princesa.

“A obra é muito atual e inovadora. A ‘princesa’ é audaciosa, pois busca os seus objetivos. Não espera que algo aconteça para salvá-la, como nos outros; nos quais, as princesas são submissas e apenas aguardam o príncipe encantado”, diz a cinéfila Eloiza Brito.

Além de todo o sucesso que as princesas causam no público em geral, as histórias criadas no mundo da fantasia também fazem grande sucesso nas premiações cinematográficas. Atualmente pode-se contar com pelo menos 14 vezes em que elas concorreram ao Oscar.

Oscar princess

A mais nova aposta real da Disney é uma adaptação live action do clássico O Quebra-Nozes. O longa foi lançado no dia primeiro de novembro e já ostenta uma bilheteria de mais de US$ 20 milhões de dólares apenas na América do Norte. A adaptação do romance de E.T.A. Hoffmann — com toques do famoso balé de Tchaikovsky – traz no elenco grandes nomes do meio cinematográfico. Atores de renome como Morgan Freeman, Keira Knightley, JaydenFowora-Knight, Eugenio Derbez, Matthew Macfadyen, Helen Mirren e a bailarina MistyCopeland são destaques e uma pequena prévia do que pode-se esperar do longa.

A história é protagonizada por Clara, interpretada pela atriz Mackenzie Foy, uma jovem que acaba viajando sozinha para um universo paralelo e totalmente desconhecido. Na trama, Clara não concorda em seguir os “padrões” impostos pela sociedade ou até mesmo em realizar atitudes que serviriam apenas para aparência – características muito parecidas com a Alice, personagem principal das histórias de Lewis Carrel. Assim como outras princesas, a protagonista se mostra corajosa e se dispõe a enfrentar desafios e perigos para salvar os quatro reinos.

“O roteiro é simples, porém, passa uma mensagem muito importante. O cenário é maravilhoso e ao mesmo tempo que o filme pode ser visto por crianças, também há um lado mais sombrio – deixando dúvida qual é o real público destinado ao filme. Com o passar da história pude perceber como a personagem Clara é incrível, pois por mais que se sentisse sozinha pela morte da mãe, ela não mudou seu modo de pensar e suas opiniões. Era muito independente, inteligente e capaz de lidar com a situação. O  filme passa uma mensagem muito boa quando Clara mostra para o público que apenas ela poderia resolver seus próprios problemas e que ela mesma era a única solução para tudo, percebendo assim, que não precisava de ninguém para mostrar do que era capaz”, diz a ativista Fernanda Carvalho.

 

Dê uma olhadinha para te deixar com mais vontade de assistir:

 

Quebra nozes

O Quebra-Nozes e os Quatro Reinos

Sinopse Oficial: Clara, uma jovem esperta e independente, perde a única chave mágica capaz de abrir um presente de valor incalculável dado por seu padrinho. Ela decide então iniciar uma jornada de resgate que a leva pelo Reino dos Doces, o Reino das Neves, o Reino das Flores e o sinistro Quarto Reino.

Veja o trailer aqui!

Cara ou Coroa

Por Amanda Sprocati

Há muita chance de você já ter assistido algum filme musical na vida, ou pelo menos já ter ouvido falar. É, eles são bem populares, por incrível que pareça. Digo isso, porque para este tipo de filme, as opiniões são bem decisivas: ou ama, ou odeia. E muita gente não é fã dessa categoria de filme. Para falar a verdade, eles ecoam um “Ugh” só de ouvir as palavras filme e musical na mesma frase. Isso pode até ser um pouco de preconceito da parte deles, pois a maioria não se dá nem a chance de assistir. Mas quem gosta, vibra só de pensar em assistir à um filme musical, e fica tão animado que canta e até dança com a obra cinematográfica.

Para entender melhor, o filme musical é, na verdade, um estilo de filme. Muitas pessoas confundem e pensam que é um gênero, mas não é. Pois ele significa apenas que as personagens, com certeza, irão cantar – e dançar – ao longo da trama, mas ele pode ser de gêneros variados, como por exemplo, comédia, drama etc. Este estilo é mais a forma com a qual os produtores decidiram realizá-lo do que realmente um gênero.

E agora, para exemplificar os dois lados da moeda temos: Marcus Vinicius Pinto Barbosa, que está no time dos que odeiam, e Fátima Luengo Colares de Oliveira, que está no time dos que amam.

Marcus, professor de inglês, nunca assistiu à um musical, mas não gosta, segundo ele, por nenhum motivo em especial. Já Fátima adora, e ela explica o porquê. Atendente no setor de bilheteria de um cinema, Fátima diz que ama essas produções, pois o fato deles serem musicais já os fazem mais animados, e ela não se acanha em admitir que canta junto. Ela afirma também que os produtores deveriam investir mais em filmes desse tipo, pois eles atraem o público, de diferentes idades, por causa das músicas, que geralmente são populares. Assim o filme faz sucesso e acaba sendo recomendado.

E para não dizer que todas as pessoas que não gostam de filmes musicais nunca nem se quer assistiram à uma produção do tipo, lhes apresento Wallace Brito Lima, que é pesquisador e motoboy, e já assistiu às animações da Disney e ao filme Os Miseráveis. Não que ele tenha assistido até o fim. Mas ele assistiu o suficiente para concretizar a sua opinião e o seu pertencimento à um dos lados: o que odeia. Ele argumenta que acha irritante e que as partes com as canções fogem da progressão do filme, e que isso acaba dando a aparência de ser algo aleatório. Entretanto, ele admite gostar de teatros musicais e diz que o ambiente torna a experiência diferente.

Mas fato é que esses filmes musicais são produções que alcançaram o êxito nas bilheterias e muitos deles fizeram história nos cinemas, mesmo havendo essa parcela de pessoas que não gostam do estilo das obras cinematográficas. E esse resultado pode ter relação com as músicas que as produções trazem em seu repertório.

Pela lista das melhores músicas originais de filmes, feita pelo crítico de cinema Jason Guerrasio e publicado no site Business Insider, já dá para se ter uma ideia. A lista não contém somente músicas de filmes musicais, mas assim já se percebe que uma música pode sim fazer tanto sucesso quanto o filme em que ela foi apresentada.

Obs.: Os filmes da franquia 007, além das produções da Disney não foram considerados pelo crítico.

A seguir, as dez primeiras músicas da lista:

1 – Eye of the Tiger, de Survivor (Rocky III: O Desafio Supremo de 1982)

2 – Mrs. Robinson, de Simon and Garfunkel (A Primeira Noite de um Homem de 1967)

3 – Stayin’ Alive, de The Bee Gees (Os Embalos de Sábado à Noite de 1977)

4 – Ghostbusters, de Ray Parker Jr. (Os Caça-Fantasmas de 1984)

5 – Footloose, de Kenny Loggins (Footloose: Ritmo Louco de 1984)

6 – Theme from Shaft, de Isaac Hayes (Shaft de 1971)

7 – Danger Zone, de Kenny Loggins (Top Gun: Ases Indomáveis de 1986)

8 – Lose Yourself, de Eminem (8 Mile: Rua das Ilusões de 2002)

9 – Flashdance… What a Feeling, de Irene Cara (Flashdance: Em Ritmo de Embalo de 1983)

10 – Fight the Power, de Public Enemy (Faça a Coisa Certa de 1989)

Depois de saber das músicas que marcaram o mundo do cinema, você deve ter ficado com a curiosidade à flor da pele para saber o nome dos filmes que fizeram a história das produções musicais, não é?  Então, já pode se acalmar, porque sua curiosidade será sanada.

Veja na imagem abaixo os respectivos filmes clássicos:

1
Imagem do site Esconderijos do Tempo – Mary Poppins / Imagem do site Último Segundo – Amor, Sublime Amor / Imagem do site Gaúcha ZH – A Noviça Rebelde / Imagem do site Cinema Clássico – O Mágico de Oz / Imagem do site Plano Crítico – Cantando na Chuva / Imagem do site 4oito – Grease / Imagem do site Exame – Os Miseráveis / Imagem do site The Verge – O Fantasma da Ópera / Imagem do site Loggado – Mudança de Hábito / Imagem do site Nerd Break – Mamma Mia!

 

E nada melhor do que um expert na área para tentar convencer você que não gosta de filme musical a finalmente assistir um até o fim. O ilustre ator, cantor, dublador e diretor Olavo Cavalheiro, conta como foi fazer um filme do estilo: “Foi uma experiência única e inesquecível. Poder fazer parte de uma megaprodução da Disney foi um privilégio e uma honra que estarão marcados em mim para sempre. Existe uma grande diferença entre um filme ‘convencional’ e um musical para todos os envolvidos. Como ator, foi muito desafiador e, ao mesmo tempo, empolgante, ter que dividir o meu tempo desde o período de pré-produção entre ensaios de cena, estúdio de gravação de músicas, ensaios de coreografias etc. É um trabalho muito minucioso para a equipe técnica também, uma vez que não é nada simples transmitir veracidade e naturalidade nas canções que já foram gravadas antes em estúdio. Também há um fator interessante no esforço em utilizar os números musicais para agregar e avançar na história, e evitar aquela sensação de pausa na narrativa para assistir à um clipe musical. Enfim, foi uma experiência extremamente rica e agregadora em minha vida.”

Para ele, cada trabalho oferece um desafio único e diferente, mas se for para escolher um só – sem ser injusto com nenhum dos outros trabalhos que fez -, Olavo escolhe a sua personagem Gabe, no musical Quase Normal. A escolha foi tomada baseada em diversos fatores. Ele fala que primeiro foi pela expectativa gigantesca dos fãs de musical no Brasil, pois o espetáculo, na Broadway, ganhou todos os prêmios que se pode imaginar. Segundo, foi pela expectativa com a sua personagem, que é interpretada por um grande ator fora do País (Aaron Tveit).

“No dia da estreia no Rio, no início do meu solo (“Sou Real” em inglês “I’m Alive”) que é uma canção super icônica no mundo dos musicais, eu pude literalmente ouvir as pessoas se arrumarem nas cadeiras para ver o que eu ia entregar.”, revela.

Olavo diz também que vocalmente foi, sem dúvida, o papel mais difícil que já fez, pois, o registro do Gabe é muito mais agudo do que o dele. E terceiro, porque no espetáculo não basta apenas cantar bem, a atuação deve ser visceral e não há espaços para truques. Além da carga emotiva ser enorme todas às noites, e o público sair do espetáculo, quase sempre, em um estado bem sensibilizado.

No entanto, quando é instigado a escolher entre dublagem de musicais ou atuar em um musical, ele diz que precisa se distanciar de sua própria experiência para decidir, pois ambos foram muito marcantes. Porém, de modo geral, ele prefere o filme musical, pelo simples fato de estar inteiramente presente no trabalho. Na dublagem, o ator necessita transmitir tudo na voz, o que em sua opinião, a torna uma arte tão difícil, porque ela também é uma negociação, uma parceria em termos de composição de personagem, uma vez que ele já foi criado antes por outro alguém. Já no filme, a liberdade para criar é maior, a seu ver.

Olavo fala que a maior aceitação do público entre as áreas da dublagem, filme, TV, teatro etc. depende muito, dado que no Brasil a força da TV aberta é inegável, além do teatro musical que vem ganhando muito espaço nos últimos vinte anos. A dublagem, em animações é muito bem aceita no País, muito mais aceita do que em outros países não falantes de inglês. Ele acredita que isso se deve pela altíssima qualidade de seus profissionais. E diz também que o teatro “convencional” ainda sofre de muito preconceito por parte do público, infelizmente. E que o cinema brasileiro sofre de certa resistência, igualmente ao teatro, mas vem encontrando o seu espaço na comédia. E dentro das artes dramáticas, Olavo deixa claro que ama todas, porém conta ter um fascínio pelo cinema e admite ser quase um vício.

Por fim, o ator confidencia sua crença nos filmes musicais brasileiros: “Acredito que deveríamos investir mais no nosso cinema em geral. Isso virá à medida que o público vier mais também. O filme musical é uma categoria muito especial que eu, obviamente, adoro e acredito que teria muito espaço no Brasil. O espectador brasileiro tem lotado cada vez mais os teatros para ver musicais no palco, então acredito que seria um movimento interessante investir mais neste gênero nas telonas também”.

E se depois dessa confissão cheia de afeto, você ainda não for convencido a gostar, pelo menos um pouco, dos filmes musicais, não há mais o que fazer. Você está, definitivamente, pertencendo ao lado dos que odeiam, com convicção.

 

Contudo, sinto informar, que para quem acha que filme musical é coisa do passado, está enganado. Porque por mais que o estilo tenha sido esquecido pelos produtores há um tempo, de vez em quando ele reaparece nas telonas para trazer a alegria para aqueles do time que adoram esse tipo de filme. Só neste ano já foram lançados três filmes musicais, e todos tiveram um resultado satisfatório nas bilheterias. A atendente Fátima diz que o filme Mamma Mia: Lá Vamos Nós De Novo! não deu muito movimento e foi mais procurado por pessoas da terceira idade, porém ela fez questão de ir assisti-lo e disse ter sido bem emocionante. E segundo ela, os filmes que realmente estão dando bastante movimento são Bohemian Rhapsody, que ainda está em cartaz e Nasce uma Estrela, que já até saiu de cartaz, mas ainda há procura.

Segue abaixo a sinopse dos filmes citados:

 

 Spoiler Alert  –

 

Mamma Mia - Lá Vamos Nós!
Imagem do site Nerd Break

Mamma Mia: Lá Vamos Nós De Novo!, lançado em 02 de agosto de 2018, conta a história de Sophie (Amanda Seyfried), depois da morte de sua mãe Donna (Meryl Streep), reinaugurando o hotel da mãe após ele ter sido totalmente reformado. Ela convida as amigas de sua mãe Rosie (Julie Walters) e Tanya (Christine Baranski) e os seus três “pais” Harry (Colin Firth), Sam (Pierce Brosnan) e Bill (Stellan Skarsgard) para o evento. E com isso ela tenta lidar com a distância de seu marido Sky (Dominic Cooper), já que ele está fazendo um curso de hotelaria em Nova York. E todos esses reencontros servem para ela descobrir memórias da juventude de sua mãe, nos anos 1970, de quando ela decidiu se estabelecer na Grécia.

 

Nasce uma Estrela
Imagem do site CinePOP

Nasce uma Estrela, lançado em 04 de outubro de 2018, conta a história de um cantor em seu auge da fama, chamado Jackson Maine (Bradley Cooper), que depois de ir para um bar para beber algo, conhece uma cantora, chamada Ally (Lady Gaga), que trabalha em um restaurante. Jackson fica encantado com a mulher e com seu talento e decide ajudá-la. E quando ela ganha fama, ele sofre uma crise pessoal e profissional por conta de seu problema com o álcool.

 

Reprodução/Internet. Cena do filme Bohemian Rhapsody.
Imagem do site Divirta-se Mais

Bohemian Rhapsody, lançado em 24 de outubro de 2018, conta a história do cantor Freddie Mercury (Rami Malek) e seus parceiros Roger Taylor (Bem Hardy), Brian May (Gwilyn Lee) e John Deacon (Joseph Mazzello) quando, na década de 1970, eles formam a banda Queen e impactam o universo da música para sempre. A banda precisa encarar o desafio de aliar o sucesso e a fama com suas vidas pessoais cada vez mais complexas, pois o excêntrico estilo de vida de Freddie (Rami Malek) começa a sair do controle.

 

E aí, você faz parte de qual time? Comenta aqui embaixo que eu quero saber, e se você tiver algum motivo, fala também! E claro, quais filmes musicais já assistiu.

Por Katialine Sales

Não é de hoje que épicos históricos chamam a atenção do público. Seja pelo conteúdo do enredo, pelos figurinos chamativos ou pelo apelo da reconstrução de tempos passados, a encenação de acontecimentos ou épocas reais sempre teve um cantinho especial no coração da maioria dos cinéfilos. A prova disso é como muitas vezes as maiores premiações favorecem os clássicos históricos em detrimento dos blockbusters de fantasia, como já apontamos anteriormente aqui no Clapper.

A reconstrução histórica, no entanto, pode ser um pouco mais complexa do que se imagina. Além de figurinos, é necessário adaptar a linguagem, os maneirismos e o cenário, de forma a transportar o espectador ao período apresentado, sem perder a leveza e acessibilidade para o público atual. Por vezes, quando se trata de épocas mais recentes, temos ainda registros fotográficos, pinturas, documentos que auxiliam nesse processo. Mas em outros, é fundamental uma pesquisa histórica aprofundada.

A pesquisa por trás das câmeras

A superprodução em animação O príncipe do Egito (1998), é considerada um pináculo de ambientação fiel, de acordo com especialistas. O foco na história bíblica – cuja veracidade ainda é debatida em âmbito acadêmico – empalidece em comparação com a fidelidade da reconstrução arqueológica do cenário, trabalhada na etnia dos personagens, em suas vestimentas e edificações. “Como estudante de Egiptologia, fiquei impressionada com a pesquisa profunda e cuidadosa que, com certeza, foi a base para a arte do filme”, diz a estudante de Clássicos e Arqueologia da Universidade de Milão, Elena Capellini. “O estilo da arte, a arquitetura, a escrita em hieróglifos nas paredes, tudo foi reproduzido fielmente.”

sandals ok
À esquerda, cena de O Príncipe do Egito. Centro, sandálias egípcias. À direita, reprodução dos pés da mortalha de uma múmia. A estimativa é que seja de cerca de 400 a.C. (Museu Egizio, Turim)

A reconstrução, nesses casos, é mais do que apenas uma questão estética. De acordo com Capellini, qualquer professor poderia usar a arte de um filme cuidadosamente construído como material de pesquisa, que muitas vezes elucida melhor e de maneira mais visual o conteúdo do que simplesmente ilustrá-lo com imagens de itens recuperados em escavações.

No entanto, nem sempre as reações do público correspondem aos esforços da equipe técnica. Por vezes detalhes corretos têm um efeito contrário ao esperado no espectador. Exemplos levantados por Capellini incluem o uso de piercings nos mamilos entre os britânicos da era vitoriana e a higiene pessoal durante a Idade Média muito mais frequente do que a cultura pop nos faz crer. “É o que chamamos de dilema de Tiffany no círculo acadêmico”, ela explica, ressaltando que esse era um nome relativamente comum na Idade Média, um apelido para Teophania, mas soa mais moderno e portanto jamais seria usado por um escritor de fantasia.

Moda e reconstrução histórica

A dificuldade não se resume apenas a encontrar referências. Períodos dos quais temos registros extensos também podem ser complexos para recriar. A modelista Judith Souza aponta as dificuldades para reproduzir figurinos de época. “Não é como se qualquer armarinho vendesse crinolina feita com crina de cavalo”, ela diz, referindo-se às armações usadas em vestidos até meados do século XX.

radium
Maquiagem, cremes e mesmo pasta de dente com o elemento químico rádio em sua composição eram comuns até os anos 20. (Via The Library of Congress)

Além dos materiais que caíram em desuso com a evolução da moda, há aqueles que foram forçosamente abandonados, como as maquiagens de carvão, guano ou mesmo de pasta radioativa, componentes cujos efeitos negativos não eram amplamente conhecidos no seu auge. Já outros foram substituídos por alternativas mais baratas ou de fácil produção, como cetim sintético substituindo seda ou renda e bordados feitos em máquinas no lugar do trabalho artesanal.

A solução, segundo Judith, seria equilibrar diferentes materiais e técnicas para obter um resultado próximo do original, sem perder a verossimilhança e balanceando a expectativa do público com a realidade. Ela ainda complementa que “é como um desfile na passarela, onde os estilistas estão mais focados em demonstrar um conceito do que apresentar como a nova coleção vai ser adaptada para uso diário”.

À mão ou à maquina? O futuro das animações

Por Katialine Sales

A modernização e a tecnologia chegaram a todos os setores, e no cinema não é diferente. Do primeiro filme projetado pelos irmãos Lumière até o hiperrealismo de James Cameron, uma jornada de mais de cem anos nos trouxe o cinema falado, colorido, com efeitos especiais físicos e computadorizados, exibição tridimensional e muito mais.

Em meio a tantas inovações, os estúdios de animação também avançaram. Os desenhos feitos à mão, quadro a quadro, foram substituídos inicialmente por desenhos digitais e finalmente por softwares de computação gráfica. Embora exijam um profundo conhecimento técnico e artístico, há quem alegue que ferramentas não tradicionais contribuem para emperrar a criatividade.

blender1
Além do conhecimento artístico, é necessário o domínio dos softwares de modelagem e animação 3D. (via ScriptTutorials)

A evolução e as mudanças

A utilização dos modelos 3D, que não dependem de animadores-chave para manter os personagens e cenários dentro de um molde estilístico, acaba sendo uma opção mais prática para grandes produtores que precisam manter um padrão estável e lançar conteúdo com maior frequência. Mas o investimento inicial em computação gráfica (softwares, máquinas com grande capacidade de processamento e renderização) é muito mais alto quando comparado com a animação tradicional. Justamente por isso, as produções com público-alvo infanto juvenil (de desenhos animados matinais aos blockbusters das princesas Disney) têm migrado para computação gráfica.

Usando o Oscar de Melhor Animação como medida, o declínio dos métodos tradicionais é palpável. A viagem de Chihiro foi o último filme animado em 2D premiado, em 2003. Já o último filme em stop motion – técnica que consiste em criar o cenário e os personagens com maquetes e bonecos, movendo-os e fotografando-os – a receber a estatueta foi Wallace & Gromit: a batalha dos vegetais, em 2006. Entre os dez filmes animados mais rentáveis de todos os tempos, O Rei Leão é o único em animação tradicional, ocupando o quarto lugar. De acordo com o animador Charles Kenny, “computação gráfica vende, e em grandes quantidades. Não importa se o estilo está em toda parte ou está se dirigindo a um colapso, só importa que nesse exato minuto, um filme em computação gráfica meia boca vai fazer dinheiro.”

E daqui pra frente?

Então a animação 2D está fadada a desaparecer para dar lugar ao 3D? Não é o que acreditam os profissionais da área, que veem os dois como não apenas muito diferentes entre si, mas também complementares. De acordo com a desenhista e animadora Kerstin Steinhoff, a mídia 2D “dá mais liberdade para deformar a imagem e criar ilusões de movimento e ação, e no geral permite um dinamismo muito maior”. Já em relação à computação gráfica, ela salienta o realismo nas texturas e a possibilidade de criar muito mais detalhes.

Alguns estúdios trazem, no entanto, a possibilidade de trabalhar com ambos. A empresa sul-coreana Mir, responsável por títulos como Avatar: a lenda de Korra e O príncipe dragão, a japonesa Production I.G. de Ataque dos titãs e mesmo a gigante ocidental Dreamworks já deram passos importantes na direção de combinar os dois meios.

sketchdump stein
Digital ou tradicional, a animação ainda depende do design de personagens. (arte de Kerstin Steinhoff)

Não é possível prever como o futuro das animações se desenvolverá a partir daqui. Novas técnicas de produção surgem a todo momento enquanto outras se tornam obsoletas, como ocorre com qualquer avanço tecnológico. Mas tanto espectadores quanto profissionais se mostram ansiosos com as possibilidades pois, como Steinhoff ressalta, “é sempre muito bom que a gente puxe os limites do que se consegue fazer pra tentar alcançar mais longe.”

 

Tecnomagia

Por Amanda Sprocati

Você já deve ter ouvido falar na Pixar, não é? Aposto que você acredita que ela faz parte da Disney. Pois é! Fico contente em afirmar que você acertou. A Pixar é uma companhia cinematográfica estadunidense de filmes gerados por computador, e sim, é muito conhecida pela parceria com a Disney. É, pode suspirar de alívio, porque você não enlouqueceu! Associar o nome das duas empresas é muito comum, uma vez que a Pixar pertence à Disney, e as companhias formam uma parceria muito bem-sucedida, diga-se de passagem.

O apreciador de filmes, Bruno Achetta, diz que gosta bastante das animações da empresa, por serem divertidas e muito bem-feitas. E que na realidade não se recorda de nenhuma que o desagradou. Ele fala também que os desenhos animados clássicos continuam com força no mercado cinematográfico, pois há espaço para todos os tipos. E ele gosta de todos. O estudante de Produção Multimída, Iglesson Ribeiro Silva, gosta da companhia e afirma não acreditar que o estilo de filme da Pixar seja o futuro da animação, porque os desenhos animados em 2D ainda vem roubando os holofotes no mundo cinematográfico. Mas é de se admirar o aperfeiçoamento da técnica que a empresa aprimorou.

Empresa essa que é a desenvolvedora do software de renderização modelo da indústria, o RenderMan, usado para produção de imagens de realismo fotográfico de alta qualidade e é especializada em alta tecnologia de computação gráfica. Além de já ser considerada um dos maiores estúdios de animação da história do cinema global. A subsidiária da Disney continua fazendo suas animações todos os anos, e mesmo não sendo tão aclamada como já foi um dia, todas as produções da companhia estão entre os cinquenta filmes de animação de maior bilheteria de todos os tempos. A sua primeira animação longa-metragem foi lançada em 1995, e após a estreia foram feitos mais dezoito filmes, todos produzidos pela Pixar até outubro de 2018, e distribuídos pela Disney. O Iglesson diz ter sido um passo importante para a animação, pois o estúdio lapidou e fez uso da técnica animação em 3D, que era novidade na época, e criou um filme que marcou a história da companhia. Já o professor Efrem Pedroza, diz que a Pixar influencia as demais produtoras e suas respectivas produções, com toda certeza. Ele acredita que as animações clássicas não perdem sua força ou essência por conta da tecnologia da computação gráfica. Na verdade, a tecnologia ajuda a compor um visual mais atraente, mas o que realmente vale é como se conta uma história. Para Efrem, contar boas histórias é o que faz de uma animação, clássica ou contemporânea, um marco no cinema. E acredita que existia um mundo antes da Pixar e passou a existir outro depois dela. E isso é mágico.

Falando em magia, acredito que você já assistiu pelo menos um dos filmes da companhia, pois a maioria deles encantou a infância de muita gente. Bruno afirma que das animações da Pixar já lançadas, as suas prediletas são (Spoiler Alert): Toy Story, Wall-E e Procurando Nemo. Já Efrem acha que todas as animações da Pixar são de uma qualidade narrativa e essência excepcionais e que isso se deve a uma equipe de roteiristas com talento para escrever sobre sentimentos e pessoas representados por personagens extremamente carismáticos. Ele não fica para trás ao falar os títulos da empresa que mais admira: Os Incríveis, Up – Altas Aventuras, Ratatouille, Toy Story, Valente, Monstros S. A., Wall-E e Divertida Mente. Só isso. Brincadeiras à parte, ele diz que estas são definitivamente as melhores animações da Pixar em sua opinião, e que são as que mais o tocam. E ele não para por aí. Efrem admite gostar de assistir todas as animações repetidas vezes, e que falar que não gosta de alguma delas é algo muito forte. Ele prefere dizer que a animação que menos assiste é a chamada Carros. E o Iglesson fala que gosta de todos os títulos lançados, mas gosta mais de um em particular, o Toy Story.

E já que estamos citando nomes, segue abaixo uma lista de cinco animações mais famosas da companhia e algumas curiosidades sobre elas:

1 – Toy Story

Toy Story
Imagem do site Collider

Este não podia ficar fora da lista, sendo o primeiro longa-metragem da Pixar em parceria com a Disney, lançado no dia 22 de novembro de 1995, é considerado, por alguns, o primeiro filme da história do cinema totalmente feito por computação gráfica. Por outros, este título é dado à produção brasileira Cassiopéia.

2 – Monstros S. A.

Monstros S. A.
Imagem do site Uau Posters

Uma animação de comédia, foi lançado em 02 de novembro de 2001, com o orçamento de cento e quinze milhões de dólares e rendeu duzentos e cinquenta e cinco milhões, oitocentos e setenta e três mil e duzentos e cinquenta dólares no país de origem, Estados Unidos, e quinhentos e vinte e cinco milhões, trezentos e sessenta e seis mil e quinhentos e noventa e sete dólares globalmente.

3 – Procurando Nemo

Procurando Nemo
Imagem do site Papel Arroz Kantinho do Bolo

O quinto filme produzido pela parceria, lançado em 30 de maio de 2003, ficou sendo pesquisado para a produção por seis anos. E o produto rendeu a indicação aos prêmios de Melhor Trilha Sonora Original, Melhor Roteiro, Melhor Edição de Som e venceu o Oscar de Melhor Filme de Animação.

4 – Carros

Carros
Imagem do site Legião dos Heróis

A animação lançada em 09 de junho de 2006, foi um sucesso de bilheterias rendendo um pouco mais de sessenta milhões de dólares no seu final de semana de estreia nos Estados Unidos. E teve como dubladores os atores Owen Wilson, Paul Newman e Bonnie Hunt nas vozes originais.

5 – Valente

Valente
Imagem do site Ace Show Biz

O primeiro conto de fada (filme de princesa) da Pixar e primeira animação da empresa a ser protagonizado por uma mulher, foi lançado em 22 de junho de 2012, e é a décima terceira animação do estúdio. Eles incluíram uma homenagem especial ao co-fundador da Pixar, Steve Jobs, que morreu em 2011, nos créditos finais do filme.

E se você é o tipo de pessoa que gosta de saber o que os críticos de cinema acham sobre as produções, segue a imagem abaixo com a nota dos respectivos filmes:

Críticas

E aí, qual dos filmes da Pixar com a Disney você mais gosta? Me conte aqui embaixo nos comentários. E se tiver algum que não gosta, comenta também, para sanar a minha curiosidade. Até a próxima!