À mão ou à maquina? O futuro das animações

Por Katialine Sales

A modernização e a tecnologia chegaram a todos os setores, e no cinema não é diferente. Do primeiro filme projetado pelos irmãos Lumière até o hiperrealismo de James Cameron, uma jornada de mais de cem anos nos trouxe o cinema falado, colorido, com efeitos especiais físicos e computadorizados, exibição tridimensional e muito mais.

Em meio a tantas inovações, os estúdios de animação também avançaram. Os desenhos feitos à mão, quadro a quadro, foram substituídos inicialmente por desenhos digitais e finalmente por softwares de computação gráfica. Embora exijam um profundo conhecimento técnico e artístico, há quem alegue que ferramentas não tradicionais contribuem para emperrar a criatividade.

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Além do conhecimento artístico, é necessário o domínio dos softwares de modelagem e animação 3D. (via ScriptTutorials)

A evolução e as mudanças

A utilização dos modelos 3D, que não dependem de animadores-chave para manter os personagens e cenários dentro de um molde estilístico, acaba sendo uma opção mais prática para grandes produtores que precisam manter um padrão estável e lançar conteúdo com maior frequência. Mas o investimento inicial em computação gráfica (softwares, máquinas com grande capacidade de processamento e renderização) é muito mais alto quando comparado com a animação tradicional. Justamente por isso, as produções com público-alvo infanto juvenil (de desenhos animados matinais aos blockbusters das princesas Disney) têm migrado para computação gráfica.

Usando o Oscar de Melhor Animação como medida, o declínio dos métodos tradicionais é palpável. A viagem de Chihiro foi o último filme animado em 2D premiado, em 2003. Já o último filme em stop motion – técnica que consiste em criar o cenário e os personagens com maquetes e bonecos, movendo-os e fotografando-os – a receber a estatueta foi Wallace & Gromit: a batalha dos vegetais, em 2006. Entre os dez filmes animados mais rentáveis de todos os tempos, O Rei Leão é o único em animação tradicional, ocupando o quarto lugar. De acordo com o animador Charles Kenny, “computação gráfica vende, e em grandes quantidades. Não importa se o estilo está em toda parte ou está se dirigindo a um colapso, só importa que nesse exato minuto, um filme em computação gráfica meia boca vai fazer dinheiro.”

E daqui pra frente?

Então a animação 2D está fadada a desaparecer para dar lugar ao 3D? Não é o que acreditam os profissionais da área, que veem os dois como não apenas muito diferentes entre si, mas também complementares. De acordo com a desenhista e animadora Kerstin Steinhoff, a mídia 2D “dá mais liberdade para deformar a imagem e criar ilusões de movimento e ação, e no geral permite um dinamismo muito maior”. Já em relação à computação gráfica, ela salienta o realismo nas texturas e a possibilidade de criar muito mais detalhes.

Alguns estúdios trazem, no entanto, a possibilidade de trabalhar com ambos. A empresa sul-coreana Mir, responsável por títulos como Avatar: a lenda de Korra e O príncipe dragão, a japonesa Production I.G. de Ataque dos titãs e mesmo a gigante ocidental Dreamworks já deram passos importantes na direção de combinar os dois meios.

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Digital ou tradicional, a animação ainda depende do design de personagens. (arte de Kerstin Steinhoff)

Não é possível prever como o futuro das animações se desenvolverá a partir daqui. Novas técnicas de produção surgem a todo momento enquanto outras se tornam obsoletas, como ocorre com qualquer avanço tecnológico. Mas tanto espectadores quanto profissionais se mostram ansiosos com as possibilidades pois, como Steinhoff ressalta, “é sempre muito bom que a gente puxe os limites do que se consegue fazer pra tentar alcançar mais longe.”

 

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